terça-feira, 28 de outubro de 2008

COntra oPinião recomeça só na net

O Contra Opinião, de Manuel Moniz, volta exclusivamente em versão blog, mais leve e variado mas sempre tendencial e opinativo...

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Balanço final

É difícil não sentir alguma frustração pelo que consideramos ter sido um falhanço nestas eleições. Apesar de termos aumentado o nosso score eleitoral, pensamos que tínhamos possibilidade de ir mais longe e que a nossa mensagem tem conteúdo e qualidade para alcançar um eleitorado mais vasto.

Consideramos que houve uma quebra nos últimos dias da campanha por parte do eleitorado, que atribuimos fundamentalmente à nossa fraca prestação no debate televisivo a 7. Não utilizámos o tempo que nos era permitido, não abordámos os nossos temas de forma convincente e de algum modo até passámos uma imagem de alguma arrogância e precipitação. Pensamos que os eleitores esperavam muito mais da nossa prestação.

Tendo em conta a qualidade das intervenções anteriores (primeira entrevista na RTP e entrevista na RDP), que claramente se destacaram entre todos, a explicação que vemos para essa quebra teve a ver com a organização e estrutura do MPT – ou melhor, com as falhas existentes a esse nível. Resumindo: não descansei nem me concentrei para o debate, como costumo fazer sempre que tenho de responder a desafios deste nível. E o cansaço nestas coisas pode ser fatídico. Que fique a lição.

A chamada “viragem à direita” também acabou por não ter o efeito desejado, porque o eleitorado “de esquerda” que críamos consolidado, na realidade não estava. A saída da sondagem no dia seguinte, ajudada pela falta de brilho do debate do dia anterior, tornou o BE como o “voto útil” desses eleitores, não sendo suficiente para galvanizar os de direita a votarem no MPT.

A esse efeito, não será alheia a montagem que foi realizada pela RTP do debate, que acabou por não reflectir o que se passou no local (Aula Magna da UA, da parte da tarde, pois o debate foi transmitido em diferido). O normal seria que depois da frase do líder do PP, seria filmada a reacção do líder do MPT. Inconcebivelmente, isso não aconteceu, transmitindo-se a imagem de uma certa vitória do infractor – quando no interior da sala a sensação que ficou foi exactamente a oposta. Não sabemos se podemos falar em manipulação, mas o facto é que, no mínimo, esse episódio não reflectiu o que realmente aconteceu no debate.

Essa dúvida aumenta quando se constata o tipo de grandes planos que foram muitas vezes utilizados pelo realizador sempre que se filmava o líder do MPT, retirando-lhe assim alguma exposição. Como também não se compreende que se tenha tentado claramente “esconder” a água da Lagoa das Furnas que o candidato trouxera, tendo o realizador mesmo optado por encurtar os planos da última pergunta, focando exclusivamente a cara dos candidatos, o que retirou algum do dramatismo a que tinhamos legitimamente direito.

Estaremos a dar demasiada importância a esse debate? Nunca o saberemos, é certo, mas ficam-nos algumas lições importantes – quer da nossa actuação, quer sobre a forma como ele acabou por ser transmitido. É igualmente questionável até que ponto o modelo de debate televisivo não deveria ser alterado, em pelo menos dois sentidos: mais perguntas de resposta mais curta, em vez do “tempo de antena” de 3 minutos que era dado a cada concorrente; e em vez de apenas um, haver dois debates, permitindo assim uma melhor avaliação dos concorrentes por parte do público.

A todos os que, apesar de tudo, nos deram o seu voto, estamos bastante gratos e consideramos que é um importante acto de confiança para o futuro. Continuamos a pensar que a nossa seria uma voz importante no parlamento açoriano e que as nossas propostas e postura eram claramente as melhores.

Falhámos mas não morremos!

Manuel Moniz

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

MPT muito satisfeito com resultados da Sondagem

O MPT Partido da Terra mostra-se bastante satisfeito com os resultados da sondagem ontem divulgada, estimando que apesar das suas limitações técnicas revela já a clara possibilidade da eleição de deputados.
As pistas que esta sondagem deixa são as seguintes:

A sondagem dá a "Outros partidos" (neste caso PPM, PDA e MPT) um peso de 2,5%, o que representa o triplo dos votos recebidos em 2004 pelo conjunto desses partidos (0,86%); trata-se de um valor que ultrapassa mesmo os 2% que a sondagem estima serem necessários para a eleição de um deputado. Ou seja, entre estes 3 partidos ainda pode haver a eleição de um deputado;
O peso da ilha de S. Miguel na sondagem é de apenas 38%, quando o seu peso real em termos de votantes é de 51%; tendo em conta que o MPT tem a maior parte do seu eleitorado nesta ilha, a probabilidade de um resultado real superior é muito grande;
A sondagem incide sobre os dias 7 a 14 de Outubro, o que significa que alguns dos momentos mais dramáticos da campanha do MPT não são contemplados por inteiro na sondagem. É exemplo o caso da Lagoa das Furnas, que ocorreu no dia 11, e que não têm qualquer impacto em 5 dos 8 dias abrangidos pelo trabalho;
Tendo em conta a dinâmica notória que a campanha do MPT revelou, estima-se que dos 2,5% que são atribuídos aos "outros partidos", uma parte significativa seja de votos no MPT, que deverá mesmo ser o principal responsável pelo crescimento desse segmento. Estimamos que nesta sondagem devemos estar já muito próximos dos 2%. Tendo em conta este dado e o facto que a metodologia desta sondagem parece ter levado em linha de conta que 2% dos votos elegem 1 deputado, a possibilidade de eleição para o MPT é muito real.
A sondagem também comprova que a estratégia do MPT dos últimos dias de captação de votos à direita também parece ter sido a mais acertada: o CDS/PP revela uma descida de 50% em relação aos resultados de 2000 (os últimos disponíveis), o que para o MPT revela um claro descontentamento das bases em relação àquele partido; isso pode favorecer claramente o MPT, que se tem esforçado por captar votos tanto à esquerda como à direita.
À esquerda, tudo indica que o crescimento do BE se deve sobretudo à captação de votos à CDU, que revela uma descida de 26% nesta sondagem - o que em termos de votos é sensivelmente igual à subida do BE. Tudo indica que o BE não conseguiu captar o eleitorado mais urbano e liberal, cujos votos poderão vir a ser depositados no MPT.

O MPT diz ainda que se comprova a previsão que vinha realizando desde o início da campanha, de que o PS teria uma maioria estrondosa. Isso faz com que os eleitores possam olhar para esta sondagem como indicador da eficácia do seu voto. O MPT prevê que poderá ainda captar uma fatia importante de descontentes do PSD e de apoiantes do PS que no entanto preferem uma maioria mais contida e uma maior pluralidade de vozes na Assembleia Regional.

Por todas estas razões, o MPT está bastante satisfeito e mantém a posição, que cremos ser realista, de podermos eleger um deputado e de lutarmos por um segundo.

Sondagem 2008
PS 55%
PSD 32,10%
PP 4,80%
BE 2,70%
CDU 2,10%
Outros 2,50%

Eleições de 2000
PS 50,05%
PSD 33,04%
PP 9,73%
CDU 4,94%
BE 1,39%
PPM/PDA 0,84%

Eleições 2004
PS 57,88%
PSD/PP 37,42%
CDU 2,86%
BE 0,98%
PPM 0,27%
MPT 0,36%
PDA 0,24%